Glifosato, herbicida nocivo ou bode expiatório? [Opinião]

O glifosato foi gradualmente banido na França desde 2019, a pedido do atual Presidente da República. No entanto, seu uso continua, principalmente por falta de alternativas para os agricultores, que atualmente representam 85% do seu uso na França. Em jardins, os chamados herbicidas orgânicos, capina, cobertura morta e outras capinas térmicas estão tentando assumir a eficácia do antigo herbicida de sucesso.

Mas é tão prejudicial? É preciso reconhecer que ele se tornou primeiro o símbolo de uma luta travada contra a Monsanto e seu principal produto, o famoso Roundup. Um cavalo de batalha para ativistas ambientais, defensores da biodiversidade e adversários fervorosos de um modelo de agricultura destrutiva por ser muito intensivo. Isso torna o uso do glifosato perigoso para os humanos? É verdade que a Agência Internacional de Pesquisa do Câncer (Circ) classificou «Provável cancérogène» para o homem em um estudo publicado em março de 2015. No entanto, outras treze agências não compartilham de sua opinião.

Além disso, na mesma categoria do glifosato, a segunda classe entre cinco, encontramos bebidas quentes acima de 65 ° C, assim como carnes vermelhas e frios. Porém, não foram proibidos ... Na classe 1, a título de comparação, estão o pó de couro e madeira, carnes industrializadas, bebidas alcoólicas, a pílula anticoncepcional e a poluição do ar.

Em vista de tal inventário, o abandono do glifosato na França é mais uma lógica de símbolo, bode expiatório e promessa política dada aos defensores da ecologia política que uma verdadeira periculosidade para o ser humano. Por seu lado, a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) considerou que os riscos do glifosato para os consumidores são limitados. No entanto, seu uso é gradualmente proibido na França, para desgosto dos agricultores. Porém, sua proibição total não será efetiva antes de 2023, seu uso - em dose reduzida - ficará reservado para as situações em que não seja substituível, em situações "Beco sem saída técnico" conforme definido pela ANSES.

Ao mesmo tempo, vozes ainda se levantam para denunciar as consequências desastrosas do abandono para os agricultores do herbicida mais usado na França. De acordo com relatório recente do Instituto Nacional de Pesquisas da Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente (INRAE), bem como avaliação comparativa realizada pela Agência Nacional de Segurança Alimentar e Meio Ambiente e Trabalho (ANSES), a liberação de glifosato põe em perigo a agricultura francesa.

Na verdade, os custos adicionais por hectare são simplesmente ruinosos, seja nas culturas arvenses, na viticultura ou na arboricultura. Para deleite da concorrência, incluindo europeia, à agricultura francesa, a grande maioria da qual ainda pode utilizar este produto. De qualquer forma, a Comissão Europeia deu luz verde à França para agora conceder um crédito fiscal de 2500 euros aos agricultores que decidirem desistir do glifosato. Mas isso será o suficiente?

Judikael Hirel 

Fonte: Le Monde

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