Marxismo e escravidão: cristãos brasileiros estão mudando a sociedade, entrevista com Anna Haddad Basso

LO Brasil vive atualmente sua crise mais profunda em décadas. Um após o outro, seus presidentes foram acusados ​​ou mesmo demitidos por corrupção. O atual presidente não é exceção. Como sair da deriva de uma mentalidade marcada por 300 anos de escravidão? A jornalista, estudiosa e cristã comprometida, Anna Haddad-Basso * nos ajuda a enxergar com clareza essa profunda mudança que, sem a oração dos cristãos, poderia transformar o Brasil em uma nova Venezuela. Entrevista.

Anna, você está atualmente fazendo uma tese sobre o ateísmo na França do século XX. Quais são suas conclusões como cristão após 20 anos de estudo do assunto?

Como cristão, estudar o ateísmo foi uma forma de aprofundar minhas dúvidas e uma chance de me aproximar de Deus. Pude, assim, confrontar constantemente minha fé, para comparar o Deus dos crentes ao Deus dos filósofos. Em minha pesquisa sobre um filósofo francês nascido em meados do século 20, cavei fundo para encontrar o que havia sido inventado para substituir o poderoso símbolo do Deus de Abraão. Eu coloco minha fé não em uma ideia, mas em uma pessoaNa mente de alguns intelectuais franceses, surgiu uma forma de espiritualidade artificial. O homem fazia parte de um todo. Minha crença foi abalada e cheguei à conclusão de que somente o dom da fé que Deus concede àqueles que acreditam Nele poderia me livrar da dúvida inerente ao existencialismo. Eu descobri que a dúvida e as questões existenciais surgem quando você para de confiar em Deus. Descobri que tinha que colocar minha fé, não em uma ideia, mas em uma pessoa. Meu Pai, Jesus.

Qual é a situação do Brasil no momento?

Durante 13 anos, os tenores da economia brasileira se aliaram ao Partido dos Trabalhadores: esses acordos voltados às compras públicas beneficiam políticos e financiam suas campanhas. Deputados, senadores, funcionários públicos, juízes, mas também grandes empresas públicas, bancos, ministérios: todos lucraram com este vasto empreendimento de corrupção. Acontece o que acontecia na Itália da época a operação "Limpar as mãos" : o Partido dos Trabalhadores (essencialmente marxista) tinha por projeto manter-se sempre no poder, mas graças à corajosa investigação do Ministério Público de um dos estados brasileiros, o castelo de cartas ruiu. Seguindo a trilha do dinheiro, a operação "Lava jato" (“Lavagem de carros”) já permitiu recuperar mais de 10 bilhões de euros, uma gota neste oceano de corrupção. 352 de 594 membros do Congresso sob investigaçãoÉ uma das maiores operações de combate à lavagem de dinheiro do mundo: 352 dos 594 membros do Congresso estão sob investigação e o próprio atual presidente está envolvido.
Em 2014, a presidente Dilma Roussef foi demitida por 6 milhões de pessoas que tomaram as ruas. As pesquisas atuais afetam políticos de todos os partidos, sem distinção. O que está acontecendo não poupa ninguém: classes médias, investidores. É a tal ponto que todos temem que a potência atual seja eliminada por uma potência muito pior. Porque é preciso entender as forças que estão em ação: uns querem acabar com a corrupção e outros, que estão diretamente envolvidos, não querem perder o poder e usar todos os meios para ficar lá. As redes de energia estão se desintegrando, algumas vão para a prisão e agora um grande número de blogueiros e jornais aparecem na lista de suborno.

O Brasil pode explodir como seu vizinho, a vizinha Venezuela?

Se a ex-presidente Dilma Rousseff tivesse permanecido no poder e conseguido sufocar a operação “Lava jato”, como ela planejou com o ex-presidente Lula, estaríamos à beira do abismo financeiro. Roubaram somas colossais, o que levou o país a registrar uma taxa de desemprego recorde, mal mascarada pelas estatísticas oficiais (13%, provavelmente o dobro na realidade). A história nos ensina que a cada colapso financeiro surge uma ditadura e um “salvador”. A agenda das forças marxistas progressistas quase nos deu o mesmo destino das ditaduras da América do Sul, amparadas por dinheiro brasileiro (Chávez, Maduro, Cuba, etc.). Eles não esperavam ter que deixar o poder no Brasil, cuja constituição eles estavam se preparando para mudar. Por enquanto, nossas instituições permanecem estáveis, mas todos os dias vemos um grande escândalo eclodir. Esta semana, uma gravação de áudio envolvendo o presidente pretendia pressioná-lo a renunciar para bloquear o país e impedir as investigações por meio de um colapso do sistema, inclusive judicial. Desde que o atual presidente está no poder, a economia tem melhorado. O Brasil deve agüentar até as eleições do próximo ano, mas este último escândalo pode ser fatal.

Qual é o papel dos cristãos dos movimentos pentecostais neste momento crucial?

Não é o sociólogo das religiões nem o jornalista que fala, mas o simples cristão: ter fé significa acreditar que Deus pode usar a nossa vida. A maioria dos pentecostais (as tendências também são muito diversas no Brasil) não entende a complexidade das redes políticas.Não negar Jesus em face do sarcasmo é heróico Os cristãos devem se envolver na política? Idealizar a noção de estado? Eu não tenho a resposta. Mas eu sei que dentro da população, alguns vivem verdadeiramente sua esperança cristã e que seu comportamento pode servir de exemplo para nações que vivem situações ainda mais caóticas que a nossa. Dentro dos sistemas, ou fora, eles trazem uma mensagem concreta que não se limita a alguns discursos ideológicos. Dentro 2 Coríntios 6, o apóstolo Paulo nos dá conselhos para esse tipo de situação. É maravilhoso quando temos a coragem de não negar Jesus quando somos ameaçados com uma arma. Mas é tão bonito quando você permanece firme por Ele em um ambiente onde ninguém acredita que Deus fala, que Ele consola e que Ele transforma. É também um ato de fé trazer a presença de Jesus para uma cultura que valoriza o sarcasmo, a preguiça e que justifica o medo de ser abraçado por uma fachada de ceticismo.

Quantas gerações são necessárias para apagar de um país essa “mentalidade escrava” de que você sempre fala?

Eu diria que a história da formação de nossa nação a torna vulnerável ao autoritarismo, seja por parte de entidades políticas ou religiosas. A verdadeira democracia é nova para nós. Os 3 séculos de escravidão não deixaram apenas vestígios sociais ou “raciais”. O dano mais profundo está na construção da dignidade do homem brasileiro, essa utopia republicana que quer fundar uma nação sobre algo que não existe.
Nossa sociedade é marcada por uma ruptura muito clara: de um lado há quem manda e de outro quem obedece. Diz com razão um provérbio brasileiro: “Ordene quem pode, obedeça a quem tem inteligência”. O instinto de autopreservação em nós usa esse fato para evitar qualquer responsabilidade. Quando nos libertamos dos ladrões de nosso país, esquecemos de transmitir nossa cultura e nossos valores. A maioria silenciosa abandonou seu futuro e suas instituições a outros, alguns dos quais mergulharam na corrupção.
Nossa responsabilidade como cidadãos e nosso testemunho cristão é demonstrar nossa fé fora das igrejas. Não é apenas o papel dos pastores. Os cristãos representam o maior grupo religioso da América do Sul. Algumas projeções mostram em 2050, seremos mais de 660 milhões. Devemos investir na esfera cultural para quebrar esse estado de espírito que aceita a corrupção sem reagir. Nessas e em outras questões sérias, os cristãos podem fazer a diferença.

Podemos dizer que uma má compreensão da mensagem do Evangelho (estou pensando no Evangelho da Libertação) levou à situação catastrófica em seu país hoje?

As igrejas perderam o poder do evangelhoEu considero a Teologia da Libertação, como o Concílio Vaticano II a caracteriza, como uma forma de ateísmo, um humanismo radical: “Deus nos abandonou à nossa própria sorte. Todos os estudos sociológicos do nosso século o mostraram: o homem precisa de amor, para dar sentido à sua vida e espiritualidade, tanto quanto para ter o que comer e se abrigar. Quando as igrejas católicas, reformadas ou pentecostais abandonam as necessidades espirituais do homem para se concentrar em suas necessidades humanas e materiais, elas perdem o poder da maior mensagem que já foi dada ao mundo: o Evangelho. Uma mensagem certamente anterior a Marx, mais autêntica e mais profunda ainda que tenha sido considerada apenas uma tradição religiosa. Para os crentes, é a mensagem do coração do Criador aos homens, uma mensagem projetada para um mundo violento, desiludido e caótico. Nosso mundo não é muito diferente daquele onde Jesus viveu e onde Ele levou Sua mensagem.
O ditado mundano do "fim que justifica os meios" é o modelo dominante hoje, e somente a Igreja possui a chave que desafia o egoísmo do homem, não para uma mudança de sistema político, mas porque "o amor de Jesus nos urge em diante ', diz o apóstolo Paulo. Para responder à sua pergunta, eu diria que as igrejas, ao apresentar Jesus outro que não o Filho de Deus, bom pastor e Salvador, perderam uma excelente oportunidade de cumprir sua missão. Eles abandonaram os brasileiros a essa ideia equivocada de que os partidos políticos poderiam trazer-lhes a salvação (o "paraíso" proclamado pela esquerda). E ao fazer isso, eles abriram a porta para o crescimento explosivo do pentecostalismo, o único movimento que desafiou essa crença de que Jesus era um "guerrilheiro". Já estamos fartos de políticos e hipócritas: queremos as palavras da Vida Eterna!

Os jornalistas, e mais particularmente os jornalistas cristãos, estão em perigo?

Jornalismo no Brasil, jornalismo investigativo independente, quase não existe. Quando escândalos já são massivamente noticiados em todos os lugares graças à Internet e aos comunicados oficiais da polícia, a mídia faz programas que tratam do assunto. Mas o jornalismo investigativo autônomo e independente é raro. Ontem ouvi a mídia comentar sobre a situação política no Irã, mas, infelizmente, nada sobre os venezuelanos que saem de seu país e entram no Brasil todos os dias por causa da fome. Esta semana, uma rede de televisão divulgou documentos de áudio suspeitos implicando uma celebridade por adultério. São momentos de grande tristeza e tensão.
Não direi que o verdadeiro jornalismo já não existe, mas não corresponde à nossa dimensão social, demográfica. Não quero ser injusto. Sim, algumas dezenas de pessoas fornecem informações sérias arriscando sua integridade física ou moral. Mas, por outro lado, essa imprensa inexistente confirma o que eu disse acima: a maioria dos brasileiros é indiferente e passiva. No entanto, as notícias estão chegando: nunca falamos tanto sobre política como agora.

Obrigado Anna por todas essas explicações. Finalmente, como podemos orar com eficácia pelo Brasil?

Em todo o Brasil, os cristãos estão se comprometendo a fazer o que Deus nos pede em nosso tempo. Eles estão na administração pública, serviços judiciais, universidades, escolas ou igrejas. Ore por todos esses lugares que foram perseguidos por serem honestos ou apenas porque estavam fazendo seu trabalho. Para os brasileiros, como na política ou na sociedade "todo mundo faz", tornou-se lugar-comum. A luz do Evangelho fala a cada consciência humana para fazer a diferença, para que a moral dos mentirosos e dos ladrões deixe de ser um comportamento banal ou, pior, a norma.

* Anna Haddad-Basso, é jornalista brasileira, formada em filosofia e sociologia das religiões. Atualmente, ela está concluindo sua tese sobre o ateísmo pós-moderno na França. Ela mora com o marido e os dois filhos em uma cidade perto de São Paulo.

Nicolas Ciarapica
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