Judeus e cristãos se reúnem em Paris para homenagear as vítimas da “solução final”

Por ocasião do 80º aniversário da Conferência de Wannsee, os líderes do Consistório Israelita, a Conferência dos Bispos e a Federação Protestante da França prestaram homenagem às vítimas da "solução final", quinta-feira, 20 de janeiro, em Paris. 

Em 20 de janeiro de 1942, em Wannsee, perto de Berlim, quinze altos funcionários do Partido Nazista e da administração alemã decidiram sobre os métodos técnicos, administrativos e econômicos do extermínio dos 11 milhões de judeus da Europa.

Uma cerimônia por ocasião do 80º aniversário desta conferência foi organizada quinta-feira em Paris, na cripta do Memorial Shoah, na presença dos líderes do Consistório Israelita, da Conferência dos Bispos e da Federação Protestante da França para prestar homenagem às vítimas.

A cerimônia, que também contou com a presença de Esther Senot, sobrevivente do campo de Auschwitz, também reuniu estudantes do ensino médio de dois estabelecimentos, um judeu e outro católico.

“O que comemoramos juntos hoje é a hipernormalidade das decisões diabólicas”, disse Haïm Korsia, rabino-chefe da França, pedindo a rejeição da “indiferença”. “Não sejam os calados”, disse ele às gerações mais jovens, alertando-as contra a “cumplicidade pelo silêncio”.

Neste 20 de janeiro de 1942, "os seres humanos pensaram em todos os detalhes a destruição de uma parte da Humanidade e talvez tenha sido a primeira vez que tal projeto foi pensado tão friamente", declarou Dom Eric de Moulins-Beaufort, Presidente da Conferência dos Bispos da França. “Algumas horas, o que levou a seis milhões de mortes”, lembrou.

"Temos o dever de lembrar, nós cristãos, porque tal modo de pensar poderia ter sido possibilitado por uma longa cultura de desprezo, uma atitude de desconfiança, de ódio às vezes, pelo menos vendendo durante séculos de suspeitas, acusações, delirantes histórias (…), pseudo-justificativas sociais ou econômicas desse desprezo (…) e (…), deve ser reconhecido, por concepções religiosas e teológicas que foram capazes de despertar esse desprezo e fornecer argumentos para raiva e medo”, ele adicionado.

François Clavairoly, presidente da Federação Protestante da França, por sua vez, insistiu nas "irmãs gêmeas" que são "História" e "nossas memórias", pedindo "responsabilidade" e "vigilância", em particular contra o antissemitismo.

Esther Senot, em poucas palavras, evocou a prisão de crianças judias francesas, "alegres e ignorantes", sua denúncia, os vagões de gado, depois a chegada ao acampamento, a fumaça... "Milhares de crianças separadas de seus pais, milhares de crianças deportadas em massa”, lembrou.

Equipe editorial (com AFP)

Crédito da imagem: Shutterstock / Francisco Javier Diaz

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