Descobrimos as abelhas dos mares [OPINIÃO]

Sem polinização, não há reprodução de plantas com flores. Sem abelhas para transportar o pólen, mais natureza. Pesquisadores franceses acabaram de descobrir que não era tão simples: o fenômeno da polinização começou realmente nos oceanos, muito antes das famosas forrageiras. Como as abelhas que passam de flor em flor, os crustáceos passam de algas vermelhas (Gracilaria gracilis) para algas vermelhas e permitem o transporte de espermatozóides das algas, semelhante ao pólen.

A face da polinização acaba de ser alterada pelo fruto de duas décadas de pesquisa do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) em Roscoff, sob a direção de Myriam Valéro e Christophe Destombes. Esses biólogos marinhos de fato conseguiram esclarecer o fato de que os crustáceos polinizam as algas, assim como as abelhas fazem com as flores. É a surpreendente densidade desses crustáceos nessas algas que lhes dará uma pista. Os idotées (Idotea balthica), crustáceos muito pequenos com o falso ar de camarões de apenas um centímetro de comprimento, passam assim de algas vermelhas para algas vermelhas. Troca de boas práticas sob as ondas: enquanto os idotées permitem a polinização de algas vermelhas, eles não se alimentam dela e se protegem de predadores.

Em 2016, os cientistas já haviam demonstrado que o zooplâncton polinizou uma grama marinha no Caribe. Esta nova descoberta de pesquisadores baseados na Bretanha, cujos resultados de pesquisa foram publicados na revista Science, também adia a datação do fenômeno da polinização: enquanto falávamos em cerca de 140 milhões de anos para as plantas com flores, as algas vermelhas existem há mais de 800 milhões de anos, bem antes das primeiras plantas terrestres. No nosso planeta azul, onde os olhos muitas vezes se voltam mais para a terra do que para os mares, esta descoberta é uma recordação da importância crucial da biodiversidade dos oceanos, da sua proteção contra a poluição e da concretização das costas.

Judikael Hirel

Fonte: Geo

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