Nice ataque à basílica: o acusado quer "roubar o julgamento das partes civis", segundo um advogado

A amnésia reivindicada pelo suposto autor do ataque com faca em Nice, que matou três pessoas em outubro de 2020, é "uma forma de roubar antecipadamente o julgamento das partes civis", denunciou na quarta-feira um dos advogados das vítimas.

“A amnésia neste caso é uma forma de escapar às responsabilidades”, insistiu Me Philippe Soussi, após uma reunião com o juiz de instrução.

A reunião, que durou uma hora e meia, no tribunal de Nice, foi liderada por Jean-Marc Herbaut, vice-presidente encarregado da investigação do centro antiterrorista do tribunal de Paris, na presença das famílias dos as vítimas.

Em 29 de outubro de 2020, por volta das 08h30, Brahim Aouissaoui, tunisiano então com 22 anos, invadiu a basílica de Nice e esfaqueada até a morte Nadine Devillers, uma Niçoise de 60 anos, Simone Barreto Silva, uma franco-brasileira de 44 anos mãe de três filhos, e o sacristão Vincent Loquès, 55, pai de duas filhas.

No âmbito da investigação judicial aberta pela Procuradoria Nacional Antiterrorista (PNAT), o homem foi indiciado por "assassinatos e tentativa de homicídio ligados a um empreendimento terrorista".

Questionado no início de abril de 2021, o suspeito garantiu não se lembrar dos acontecimentos de Nice. De acordo com uma fonte familiarizada com o assunto, ele foi novamente ouvido "no início de junho e (permaneceu) na mesma linha de defesa".

Na quarta-feira, o magistrado apresentou pela primeira vez às partes civis as conclusões de uma perícia psiquiátrica de Brahim Aouissaoui. Isso estabelece, "como antecipamos, que o acusado é totalmente responsável por seus atos", assegurou Me Soussi, advogado do Sr. Devillers.

Outra perícia neurológica mostrou que o suspeito, submetido a anestesia e sedação, "é possível ou concebível que possa haver amnésia em relação ao dia dos fatos", mas não além, segundo Me Soussi.

O arguido alegando não se reconhecer quando lhe é apresentada uma fotografia sua, "está, portanto, claramente estabelecido que a alegada amnésia é um sistema de defesa", insistiu o advogado.

O encontro também "possibilitou compreender o percurso deste terrorista, o seu radicalismo, as suas intenções e a sua preparação premeditada para este atentado terrorista", afirmou Me Samia Maktouf, advogado da família do sacristão, segundo quem "é alguém que um passado terrorista na Tunísia e já foi condenado lá”.

Conhecido na Tunísia por atos de violência e drogas, o jovem, que chegou ilegalmente à Europa através da ilha italiana de Lampedusa, voltou-se para a religião e depois se isolou.

“A tese da amnésia, dificilmente podemos aceitar”, reagiu Joffrey Devillers, marido de Nadine Devillers, à saída do palácio: “A certa altura, os terroristas assumiram os seus actos, até os reivindicaram. Uma defesa assim é a defesa de um covarde”.

A equipe editorial (com AFP)

Crédito de imagem: Kiev.Victor / Shutterstock.com

© Info Chrétienne - Reprodução parcial autorizada seguida de um link "Leia mais" para esta página.

APOIE A INFORMAÇÃO CRISTÃ

Info Chrétienne por ser um serviço de imprensa online reconhecido pelo Ministério da Cultura, a sua doação é dedutível no imposto de renda em até 66%.